Séc.s 17/19
“A Igreja Matriz de Silva Escura surge referenciada desde os períodos medievais com invocação a Santa Maria, ou Senhora da Graça. No catálogo das igrejas paroquiais elaborado em 1320-1321, esta mesma igreja surge integrada no arciprestado de Lafões dedicada desta feita a S. João. Na época moderna, mais concretamente durante o episcopado de D. João de Melo e na relação do bispado feita em 1675, refere-se que a igreja possuía um sacrário e de dois altares colaterais dedicados a Nossa Senhora e S. Sebastião.
Deve, contudo, ter ocorrido a partir deste período uma campanha de obras tendo em vista a ampliação do templo, isto porque o padre Gaspar- Esteves anos mais tarde refere que a igreja de S. João Baptista era composta de cinco altares: o principal do Santíssimo Sacramento, outro do Santíssimo Nome de Jesus, outro pertencente à Nossa Senhora do Rosário, outro dedicado a S. Gonçalo e por fim o de S. Sebastião. A reforma estilística operada no templo encarregar-se-ia de acrescentar ao classicismo ainda evidente no frontão triangular que remata a igreja, umas pilastras jónicas a ladear o portal, bem como um frontão curvo interrompido por um nicho que alberga a figura de S. João, porventura do século XVII da escola coimbrã.
Em virtude de obras mais recentes, obedecendo aos cânones do Concílio de Vaticano II, a igreja de Silva Escura ganhou mais espaço devido aos dois arcos laterais cortados nas paredes criando duas capelas, à maneira de transepto imprimindo ao templo o aspeto de cruz latina. A área da capela-mor foi reduzida fazendo avançar a mesa do altar. Os retábulos foram desmantelados e aproveitaram os de melhor valor artístico para se fazer um único retábulo com motivos vegetalistas terminando com um anjo em cada lado, rematado ao centro por esplendor-glória solar.
Ao entrar no templo, por baixo do coro alto podemos verificar do lado esquerdo a antiga capela batismal, onde se encontra uma imagem do Senhor dos Passos. A cobertura da igreja é composta por uma série de caixotões em madeira. A frontaria da igreja seria revestida de azulejo em 1936, com três pequenos painéis representando o Santo Padroeiro, o Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora da Conceição.”